domingo, 7 de agosto de 2016

Arquivo para download: Flutuações da atenção no processo de criação, por Virgínia Kastrup

Denominamos invenção ou criação não um processo psicológico especial, mas a potência que a cognição possui de diferir de si mesma (KASTRUP, 2007a). Constatamos que estudar a criação dentro de parâmetros científicos nem sempre é simples, pois não há uma teoria da criação. Como afirma Isabelle Stengers (1993) a idéia de uma teoria da invenção é uma contradição de termos. Por não ser submetida a leis gerais, a invenção também não está sujeita à previsibilidade. Henri Bergson (1930/2006) sublinha esse ponto quando, na ocasião em que ganha o prêmio Nobel, é perguntado por um jornalista sobre como seria a literatura do futuro. Bergson responde que se fosse possível sabê-lo, ele próprio a faria. Observamos que além de ser preciso abrir mão da intenção de encontrar leis gerais e de fazer previsões quanto a seus resultados futuros, há que se renunciar a explicar a criação pelo criador. Tal caminho não parece adequado, pois ao invés de fundamento, o sujeito deve ser entendido, ele mesmo, como efeito do processo de criação. O desafio é explicar a criação sem apelar para uma instância criadora. Muitas vezes se tem confundido criação com criatividade, o que é também um equívoco a ser evitado. A criatividade é somente uma pequena parte do processo de criação, que é bem mais amplo. A criatividade é apenas a criação de soluções originais para problemas dados, enquanto a criação envolve a invenção dos próprios problemas.

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