quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Arquivo para download: Epicuro - Trechos Selecionados

Segundo Diógenes Laércio, a obra completa de Epicuro não tinha menos do que 300 títulos (sendo que um deles era o "Da Natureza", em 37 livros). Como não houve o cuidado e o interesse de preservar o conteúdo do pensamento epicurista (ao contrário do que ocorreu com Platão e Aristóteles), restaram apenas 3 cartas (a Heródoto, a Pítocles e a Meneceu), além de uma antologia de textos. Disponibilizamos essa antologia de textos para download:


Leia alguns trechos que selecionamos:

"Nunca se protele o filosofar quando se é jovem, nem canse o fazê-lo quando se é velho, pois que ninguém é jamais pouco maduro nem demasiado maduro para conquistar a saúde da alma. E quem diz que a hora de filosofar ainda não chegou ou já passou assemelha-se ao que diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz."

"É insensato aquele que diz temer a morte, não porque ela o aflija quando sobrevier, mas porque o aflige o prevê-la: o que não nos perturba quando está presente inutilmente nos perturba também enquanto o esperamos."

"Antes de mais, nada provém do nada, pois que então tudo nasceria sem necessidade de sementes. E, se se dissolvesse no nada tudo o que desaparece, todas as coisas seriam destruídas, anulando-se as partes nas quais se decompunham. E também é certo que o todo foi sempre tal como é agora e será sempre assim, pois nada existe nele que possa mudar-se. Com efeito, mais além do todo não existe nada que penetrando nele produza a sua transformação."

"Alguns corpos são compostos, e outros elementos dos compostos; e estes últimos são indivisíveis e imutáveis, visto que é forçoso que alguma coisa subsista na dissolução dos compostos; se assim não fosse, tudo deveria dissolver-se em nada. São sólidos por natureza, porque não têm nem onde nem como dissolver-se. De maneira que é preciso que os princípios sejam substâncias corpóreas e indivisíveis."

"E consideramos um grande bem o bastar-se a si próprio, não com o fim de possuir sempre pouco, mas para nos contentarmos com pouco no caso em que não possuamos muito, legitimamente persuadidos de que desfrutam da abundância do modo mais agradável aqueles que menos necessidades têm, e que é fácil tudo o que a natureza quer e difícil o que é vaidade."

Livros em português:
Além da antologia de textos (publicada pela coleção "Os Pensadores", Abril, 1973), há também a tradução de uma das cartas de Epicuro, conhecida como "Carta sobre a felicidade" (Editora Unesp), destinada a Meneceu.



Fonte indispensável para o estudo do epicurismo, o livro "Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres" (Editora UNB), de Diôgenes Laêrtios (ou Diógenes Laércio), contém, além das três cartas de Epicuro, 40 máximas principais e uma pequena biografia.






Na mesma edição da coleção "Os Pensadores", há o grandioso poema de Lucrécio - grande divulgador do epicurismo e fonte indispensável para estudos - chamado "Da Natureza". Outra leitura recomendada é o livro de Jean Brun, "O Epicurismo" (Edições 70), além do artigo "Lucrécio e o Simulacro", que faz parte do apêndice do livro "Lógica do Sentido", de Gilles Deleuze (editora Perspectiva).


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